Por Janete Jakatanvisky
Meu pai, Jonas Jakatanvisky, lançou seu primeiro livro aos 71 anos: Os Imigrantes Lituanos em São Paulo – 1880-1931. Filho de imigrantes lituanos, ele quis registrar a trajetória de uma geração que deixou sua terra natal em busca de uma nova vida no Brasil.
Ao contar a história de seus pais — meus avós —, acabou contando também a história de milhares de lituanos: a decisão de emigrar, a longa viagem, a chegada ao porto de Santos, a passagem pela Hospedaria dos Imigrantes e os desafios nas fazendas e, depois, na cidade de São Paulo.
Seu trabalho reuniu memórias, documentos, jornais e relatos para preservar uma história que poderia se perder com o tempo. Além dos livros, dedicou-se também à preservação do acervo cultural da Sajunga-Aliança Lituano-Brasileira.
Lembro com emoção do lançamento daquele primeiro livro, em 2006, numa noite inesquecível na Sajunga. Na época, ainda não imaginávamos que ele deixaria outros manuscritos que mais tarde seriam revisados e publicados, completando uma importante cronologia de 100 anos da imigração lituana no Brasil (1880-1980).
Hoje, entendo ainda mais a importância desse registro. Histórias familiares e comunitárias ajudam a fortalecer identidades, preservar memórias e conectar gerações.
É por isso que a imigração lituana merece ser contada e recontada.
Escreva, grave, fotografe, desenhe — mas deixe a sua história!