{"id":1645,"date":"2025-11-19T11:54:31","date_gmt":"2025-11-19T14:54:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.litpro.la\/?p=1645"},"modified":"2025-11-19T12:20:47","modified_gmt":"2025-11-19T15:20:47","slug":"entrevista-com-guilherme-bragov","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.litpro.la\/?p=1645","title":{"rendered":"Entrevista com Guilherme Bragov"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"1645\" class=\"elementor elementor-1645\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-9b0a2dd e-flex e-con-boxed wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no e-con e-parent\" data-id=\"9b0a2dd\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6319475 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"6319475\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Pensa em morar na Litu\u00e2nia?  \n<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-cfb52fa elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"cfb52fa\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Veja a experi\u00eancia do brasileiro Guilherme Bragov <\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1f924b7 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"1f924b7\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Por Janete Jakatanvisky \u2013 Diretoria LitPro <\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-f6dc95e e-flex e-con-boxed wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no e-con e-parent\" data-id=\"f6dc95e\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-0a8edcb e-con-full e-flex wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no e-con e-child\" data-id=\"0a8edcb\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c0a38cc elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"c0a38cc\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.litpro.la\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Guilherme-Bill-768x1024.jpeg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-1648\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.litpro.la\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Guilherme-Bill-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.litpro.la\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Guilherme-Bill-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.litpro.la\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Guilherme-Bill-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/www.litpro.la\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Guilherme-Bill-200x267.jpeg 200w, https:\/\/www.litpro.la\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Guilherme-Bill.jpeg 1200w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-9616b92 e-con-full e-flex wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no e-con e-child\" data-id=\"9616b92\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-661a517 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"661a517\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"zw-paginated zw-page ui-1122-793-portrait\"><div class=\"zw-pagecontainer\"><div class=\"zw-content-wrapper\"><div class=\"selectableSection zw-contentpane\"><div><div class=\"zw-column-container\"><div class=\"zw-column\"><div class=\"zw-paragraph\" data-width=\"567.1679999999999\" data-tabpoints=\"[]\" data-textformat=\"{&quot;size&quot;:12}\"><div class=\"zw-line-div\"><p>Convidamos Guilherme Bragov \u2013 conhecido pelos amigos como Guilherme Bill \u2013 para compartilhar sua experi\u00eancia de vida na Litu\u00e2nia, uma rela\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou muito antes da sua primeira viagem ao pa\u00eds. Nascido na Vila Zelina, tradicional bairro lituano de S\u00e3o Paulo, ele n\u00e3o \u00e9 descendente de lituanos, mas desde jovem esteve ligado \u00e0 comunidade, participando dos grupos Palanga, Nemunas e da Jaunimo S\u0105junga.<\/p><p>Em 2009, decidiu deixar o bairro para estudar o idioma na Universidade de Vilnius:<\/p><p><em>\u201cDepois de ficar aqui quase um ano foi preciso voltar para o Brasil e retribuir um pouco daquilo que eu havia aprendido. Mas eu sempre quis voltar. Um ano foi muito pouco para conhecer tudo\u201d<\/em>, relembra.<\/p><p><strong>Um novo come\u00e7o em 2019<\/strong><\/p><p>Dez anos depois, em 2019, Guilherme decidiu dar um novo rumo \u00e0 vida. \u201cEu estava profissionalmente insatisfeito e precisava de algo novo. Eu queria vir para a Europa. Como ponto de partida, nada melhor do que come\u00e7ar por onde eu j\u00e1 conhecia.\u201d<\/p><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ad6d0a7 e-flex e-con-boxed wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no e-con e-parent\" data-id=\"ad6d0a7\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-03ec9ac elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"03ec9ac\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"zw-paginated zw-page ui-1122-793-portrait\"><div class=\"zw-pagecontainer\"><div class=\"zw-content-wrapper\"><div class=\"selectableSection zw-contentpane\"><div class=\"zw-column-container\"><div class=\"zw-column\"><div class=\"zw-paragraph\" data-width=\"567.1679999999999\" data-tabpoints=\"[]\" data-textformat=\"{&quot;size&quot;:12}\"><div class=\"zw-line-div\"><p>Com cidadania portuguesa, desembarcou em Vilnius, sem saber se ficaria, mas percebeu que havia encontrado o seu lugar:<\/p><p><em>\u201cFoi como estar em casa. Bastaram algumas semanas para eu ver que as possibilidades aqui eram melhores do que buscar algo incerto num destino diferente. Logo fui contratado e, em setembro, j\u00e1 estava bem estabelecido. Para quem est\u00e1 acostumado ao Brasil, aqui tudo parece mais f\u00e1cil e organizado.\u201d<\/em><\/p><p><strong>A vida em Vilnius<\/strong><\/p><p>Guilherme descreve a capital lituana como \u201c\u00fanica\u201d: uma cidade que combina hist\u00f3ria, natureza e seguran\u00e7a.<\/p><p><em>\u201cH\u00e1 muitos parques, as ruas s\u00e3o limpas, o tr\u00e2nsito n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o intenso e s\u00e3o raros os casos de viol\u00eancia. \u00c9 seguro andar a p\u00e9 ou de bicicleta. As pessoas nem andam com pressa, pelo menos enquanto a temperatura estiver positiva\u201d<\/em>, brinca.<\/p><p>Para ele, o segredo est\u00e1 no equil\u00edbrio: \u201c<em>A qualidade de vida compensa o custo mais alto, o frio e todas as diferen\u00e7as.\u201d<\/em><\/p><p><strong>Enfrentando o inverno, o idioma e as incertezas<\/strong><\/p><p>Sobre os desafios mais comentados, como o inverno, o idioma e a amea\u00e7a de conflito, Guilherme trata com naturalidade:<\/p><p><em>\u201cCom o frio a gente aprende a lidar. O verdadeiro choque \u00e9 com a escurid\u00e3o. De novembro a fevereiro os dias s\u00e3o curtos e praticamente n\u00e3o se v\u00ea a luz do sol. Isso afeta o humor e deixa as pessoas mais reclusas. \u00c9 preciso viver um inverno inteiro para saber se a Litu\u00e2nia \u00e9 para voc\u00ea. Mas a recompensa vem depois.\u201d<\/em><\/p><p>O idioma, por outro lado, n\u00e3o foi obst\u00e1culo:<\/p><p><em>\u201cComo eu j\u00e1 tinha morado aqui, estava habituado. Vilnius e Kaunas s\u00e3o bem acess\u00edveis aos estrangeiros, e \u00e9 comum que as pessoas falem ingl\u00eas, principalmente os mais jovens. Mas falar lituano abre muitas portas. Os lituanos valorizam muito quem faz esse esfor\u00e7o.\u201d<\/em><\/p><p>Sobre a quest\u00e3o da seguran\u00e7a regional, ele avalia com serenidade:<\/p><p><em>\u201cEu busco enxergar as amea\u00e7as de um poss\u00edvel conflito de maneira l\u00f3gica. O tempo est\u00e1 mais a favor da Europa e a Litu\u00e2nia est\u00e1 mais bem preparada. Quando se deu o in\u00edcio da invas\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia, em 2022, a Europa n\u00e3o dispunha dos mesmos recursos de hoje, e muito se aprendeu com o conflito.\u201d<\/em><\/p><p>Ele destaca que o pa\u00eds aumentou os investimentos em defesa e conta com a prote\u00e7\u00e3o da OTAN, incluindo tropas da Alemanha, EUA e Pol\u00f4nia, al\u00e9m de apoio a\u00e9reo rotativo. Civis tamb\u00e9m recebem treinamento pela \u0160auli\u0173 S\u0105junga. A ades\u00e3o recente da Finl\u00e2ndia e da Su\u00e9cia \u00e0 Alian\u00e7a torna uma invas\u00e3o menos prov\u00e1vel.<\/p><p>Mesmo assim, h\u00e1 planos de conting\u00eancia: \u201cA todos os residentes de Vilnius \u00e9 recomendado ter um estoque de \u00e1gua e comida em casa, al\u00e9m de uma mochila para emerg\u00eancias. A prepara\u00e7\u00e3o ajuda a nos sentirmos mais seguros.\u201d<\/p><p><strong>Diferen\u00e7as culturais e adapta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p><p>Nem tudo foi simples no in\u00edcio:<\/p><p><em>\u201cAqui n\u00e3o existe o \u2018jeitinho\u2019. N\u00e3o espere muita simpatia de gar\u00e7ons ou comerciantes. Para n\u00f3s, brasileiros, ser bem atendido parece algo natural. Os lituanos n\u00e3o ligam muito para isso. N\u00e3o que eles sejam rudes. Muitos est\u00e3o ali temporariamente.\u201d<\/em><\/p><p>E a burocracia pode ser desafiadora: entender documentos, o sistema de sa\u00fade, impostos&#8230; tudo \u00e9 diferente.<\/p><p><strong>Mercado de trabalho<\/strong><\/p><p>Ele destaca que o mercado de trabalho oferece boas oportunidades:<\/p><p><em>\u201cVilnius e Kaunas concentram a maior parte das empresas multinacionais, que aqui instalam os seus service hubs. A maioria deles atende as \u00e1reas de TI, setores financeiro e de recursos humanos. Klaip\u0117da tem suas atividades mais ligadas ao setor log\u00edstico-portu\u00e1rio ou \u00e0 importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/p><p>Ao avaliar uma proposta, \u00e9 importante conhecer a realidade local:<\/p><p><em>\u201cAqui n\u00e3o existe nem o d\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio, nem o vale-refei\u00e7\u00e3o. Em geral, o \u00fanico benef\u00edcio oferecido pelas empresas \u00e9 o plano de sa\u00fade. Outra situa\u00e7\u00e3o que impacta o or\u00e7amento dom\u00e9stico \u00e9 o aquecimento. Nos meses em que ele fica ligado, o aumento nas despesas pode chegar a 30%, dependendo da intensidade do inverno.\u201d<\/em><\/p><p>Ainda sobre o mercado de trabalho, destaca que o idioma \u201cingl\u00eas \u00e9 indispens\u00e1vel. Alem\u00e3o e idiomas escandinavos podem ser um diferencial. Franc\u00eas, espanhol e outras l\u00ednguas da Uni\u00e3o Europeia podem ajudar, mas s\u00e3o bem menos requisitadas.\u201d<\/p><p><strong>Conselhos para quem pensa em se mudar para a Litu\u00e2nia<\/strong><\/p><p>Guilherme destaca a import\u00e2ncia do idioma na adapta\u00e7\u00e3o:<\/p><p><em>\u201cQuem pensa em vir para c\u00e1 deve considerar investir em um curso de lituano. Por meio da cultura e do idioma, torna-se mais f\u00e1cil compreender a maneira como se vive aqui.\u201d<\/em><\/p><p>Ele tamb\u00e9m recomenda chegar no ver\u00e3o, manter expectativas realistas e preparar-se pessoal e financeiramente:<\/p><p><em>\u201cFalar lituano contribuiu, \u00e9 claro. Mas o fato de eu saber como eram as coisas e procurar me manter em contato com a Litu\u00e2nia, mesmo quando ainda morava no <\/em><em>Brasil, fez com que eu chegasse aqui muito mais confort\u00e1vel.\u201d<\/em><\/p><p>______________________________________________________________________________________________________________________<\/p><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a370ffe elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"a370ffe\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><em>Sobre a autora: Janete Jakatanvisky \u00e9 Diretora Operacional do LitPro. Administradora e consultora organizacional, tem se dedicado a atividades culturais junto \u00e0 comunidade lituana. Autora do livro Alma Lituana: terras e cores de uma terra distante, \u00e9 respons\u00e1vel pela publica\u00e7\u00e3o dos livros de seu pai Jonas Jakatanvisky sobre a imigra\u00e7\u00e3o lituana, entre outros. Contato: janetejak1@gmail.com.<\/em><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensa em morar na Litu\u00e2nia? Veja a experi\u00eancia do brasileiro Guilherme Bragov Por Janete Jakatanvisky \u2013 Diretoria LitPro Convidamos Guilherme Bragov \u2013 conhecido pelos amigos como Guilherme Bill \u2013 para compartilhar sua experi\u00eancia de vida na Litu\u00e2nia, uma rela\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou muito antes da sua primeira viagem ao pa\u00eds. Nascido na Vila Zelina, tradicional bairro lituano de S\u00e3o Paulo, ele n\u00e3o \u00e9 descendente de lituanos, mas desde jovem esteve ligado \u00e0 comunidade, participando dos grupos Palanga, Nemunas e da Jaunimo S\u0105junga. Em 2009, decidiu deixar o bairro para estudar o idioma na Universidade de Vilnius: \u201cDepois de ficar aqui quase um ano foi preciso voltar para o Brasil e retribuir um pouco daquilo que eu havia aprendido. Mas eu sempre quis voltar. Um ano foi muito pouco para conhecer tudo\u201d, relembra. Um novo come\u00e7o em 2019 Dez anos depois, em 2019, Guilherme decidiu dar um novo rumo \u00e0 vida. \u201cEu estava profissionalmente insatisfeito e precisava de algo novo. Eu queria vir para a Europa. Como ponto de partida, nada melhor do que come\u00e7ar por onde eu j\u00e1 conhecia.\u201d Com cidadania portuguesa, desembarcou em Vilnius, sem saber se ficaria, mas percebeu que havia encontrado o seu lugar: \u201cFoi como estar em casa. Bastaram algumas semanas para eu ver que as possibilidades aqui eram melhores do que buscar algo incerto num destino diferente. Logo fui contratado e, em setembro, j\u00e1 estava bem estabelecido. Para quem est\u00e1 acostumado ao Brasil, aqui tudo parece mais f\u00e1cil e organizado.\u201d A vida em Vilnius Guilherme descreve a capital lituana como \u201c\u00fanica\u201d: uma cidade que combina hist\u00f3ria, natureza e seguran\u00e7a. \u201cH\u00e1 muitos parques, as ruas s\u00e3o limpas, o tr\u00e2nsito n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o intenso e s\u00e3o raros os casos de viol\u00eancia. \u00c9 seguro andar a p\u00e9 ou de bicicleta. As pessoas nem andam com pressa, pelo menos enquanto a temperatura estiver positiva\u201d, brinca. Para ele, o segredo est\u00e1 no equil\u00edbrio: \u201cA qualidade de vida compensa o custo mais alto, o frio e todas as diferen\u00e7as.\u201d Enfrentando o inverno, o idioma e as incertezas Sobre os desafios mais comentados, como o inverno, o idioma e a amea\u00e7a de conflito, Guilherme trata com naturalidade: \u201cCom o frio a gente aprende a lidar. O verdadeiro choque \u00e9 com a escurid\u00e3o. De novembro a fevereiro os dias s\u00e3o curtos e praticamente n\u00e3o se v\u00ea a luz do sol. Isso afeta o humor e deixa as pessoas mais reclusas. \u00c9 preciso viver um inverno inteiro para saber se a Litu\u00e2nia \u00e9 para voc\u00ea. Mas a recompensa vem depois.\u201d O idioma, por outro lado, n\u00e3o foi obst\u00e1culo: \u201cComo eu j\u00e1 tinha morado aqui, estava habituado. Vilnius e Kaunas s\u00e3o bem acess\u00edveis aos estrangeiros, e \u00e9 comum que as pessoas falem ingl\u00eas, principalmente os mais jovens. Mas falar lituano abre muitas portas. Os lituanos valorizam muito quem faz esse esfor\u00e7o.\u201d Sobre a quest\u00e3o da seguran\u00e7a regional, ele avalia com serenidade: \u201cEu busco enxergar as amea\u00e7as de um poss\u00edvel conflito de maneira l\u00f3gica. O tempo est\u00e1 mais a favor da Europa e a Litu\u00e2nia est\u00e1 mais bem preparada. Quando se deu o in\u00edcio da invas\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia, em 2022, a Europa n\u00e3o dispunha dos mesmos recursos de hoje, e muito se aprendeu com o conflito.\u201d Ele destaca que o pa\u00eds aumentou os investimentos em defesa e conta com a prote\u00e7\u00e3o da OTAN, incluindo tropas da Alemanha, EUA e Pol\u00f4nia, al\u00e9m de apoio a\u00e9reo rotativo. Civis tamb\u00e9m recebem treinamento pela \u0160auli\u0173 S\u0105junga. A ades\u00e3o recente da Finl\u00e2ndia e da Su\u00e9cia \u00e0 Alian\u00e7a torna uma invas\u00e3o menos prov\u00e1vel. Mesmo assim, h\u00e1 planos de conting\u00eancia: \u201cA todos os residentes de Vilnius \u00e9 recomendado ter um estoque de \u00e1gua e comida em casa, al\u00e9m de uma mochila para emerg\u00eancias. A prepara\u00e7\u00e3o ajuda a nos sentirmos mais seguros.\u201d Diferen\u00e7as culturais e adapta\u00e7\u00e3o Nem tudo foi simples no in\u00edcio: \u201cAqui n\u00e3o existe o \u2018jeitinho\u2019. N\u00e3o espere muita simpatia de gar\u00e7ons ou comerciantes. Para n\u00f3s, brasileiros, ser bem atendido parece algo natural. Os lituanos n\u00e3o ligam muito para isso. N\u00e3o que eles sejam rudes. Muitos est\u00e3o ali temporariamente.\u201d E a burocracia pode ser desafiadora: entender documentos, o sistema de sa\u00fade, impostos&#8230; tudo \u00e9 diferente. Mercado de trabalho Ele destaca que o mercado de trabalho oferece boas oportunidades: \u201cVilnius e Kaunas concentram a maior parte das empresas multinacionais, que aqui instalam os seus service hubs. A maioria deles atende as \u00e1reas de TI, setores financeiro e de recursos humanos. Klaip\u0117da tem suas atividades mais ligadas ao setor log\u00edstico-portu\u00e1rio ou \u00e0 importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o.\u201d Ao avaliar uma proposta, \u00e9 importante conhecer a realidade local: \u201cAqui n\u00e3o existe nem o d\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio, nem o vale-refei\u00e7\u00e3o. Em geral, o \u00fanico benef\u00edcio oferecido pelas empresas \u00e9 o plano de sa\u00fade. Outra situa\u00e7\u00e3o que impacta o or\u00e7amento dom\u00e9stico \u00e9 o aquecimento. Nos meses em que ele fica ligado, o aumento nas despesas pode chegar a 30%, dependendo da intensidade do inverno.\u201d Ainda sobre o mercado de trabalho, destaca que o idioma \u201cingl\u00eas \u00e9 indispens\u00e1vel. Alem\u00e3o e idiomas escandinavos podem ser um diferencial. Franc\u00eas, espanhol e outras l\u00ednguas da Uni\u00e3o Europeia podem ajudar, mas s\u00e3o bem menos requisitadas.\u201d Conselhos para quem pensa em se mudar para a Litu\u00e2nia Guilherme destaca a import\u00e2ncia do idioma na adapta\u00e7\u00e3o: \u201cQuem pensa em vir para c\u00e1 deve considerar investir em um curso de lituano. Por meio da cultura e do idioma, torna-se mais f\u00e1cil compreender a maneira como se vive aqui.\u201d Ele tamb\u00e9m recomenda chegar no ver\u00e3o, manter expectativas realistas e preparar-se pessoal e financeiramente: \u201cFalar lituano contribuiu, \u00e9 claro. Mas o fato de eu saber como eram as coisas e procurar me manter em contato com a Litu\u00e2nia, mesmo quando ainda morava no Brasil, fez com que eu chegasse aqui muito mais confort\u00e1vel.\u201d ______________________________________________________________________________________________________________________ Sobre a autora: Janete Jakatanvisky \u00e9 Diretora Operacional do LitPro. Administradora e consultora organizacional, tem se dedicado a atividades culturais junto \u00e0 comunidade lituana. Autora do livro Alma Lituana: terras e cores de uma terra distante, \u00e9 respons\u00e1vel pela publica\u00e7\u00e3o dos livros de seu pai Jonas Jakatanvisky sobre a imigra\u00e7\u00e3o lituana, entre outros. Contato: janetejak1@gmail.com.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1645","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.litpro.la\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1645","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.litpro.la\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.litpro.la\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.litpro.la\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.litpro.la\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1645"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.litpro.la\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1645\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1660,"href":"https:\/\/www.litpro.la\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1645\/revisions\/1660"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.litpro.la\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.litpro.la\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.litpro.la\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}